"Mas ele disse que..." - observando quem sempre cita outros em suas respostas

O ser inseguro (sim, o oposto do convicto) tem o costume de usar a opinião de outros para validar o que fala. A si mesmo não basta o que pensa e esta carência (sentida ou ainda não percebida) é revelada na forma como ele ou ela se expõe. Insuficiente é a sua resposta e ele sabe disso. Na ânsia de satisfazer quem o ouve e de se fazer ouvido, ele faz mais uma, duas, três, muitas mais referências a terceiros, em ciclos aparentemente sem fim.

Se trouxesse frases inspiradoras, sugestivo seria. Citações inspiradoras de terceiros trazem emoção e ativam estados de espírito propícios para a ação, o movimento, o progresso, e agregam beleza e confiança a quem as fala e e a quem as ouve. Mas não são destas citações que estamos falando: estamos falando de relatos de trabalho, conclusões de atividades, atendimentos a clientes, evoluções de pipelines, relacionamentos entre áreas e pessoas.

Se alguém pergunta uma opinião, é a opinião da pessoa com quem se fala que se quer ouvir - e não algo que a outro, diretamente, a pergunta pode ser feita.

No hábito ou prática de sempre citar outros numa resposta, mal nenhum ou menor há quando o inseguro reproduz a fala de outros com fidelidade. Mas este mal pode crescer se ele distorcer - consciente ou inconscientemente - a fala de outros. Neste caso, a palavra do inseguro poderá chegar a perder o seu valor.

Quem muito repete outros por não ter ou saber o que dizer, indispensável poderá deixar de ser.

O estudo, a dedicação, o tempo para o trabalho, a perspicácia e a atenção continuada no que pode ser feito de melhor forma, por outro lado, diminuem a insegurança na comunicação e aumentam a qualidade das proposições.

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