Aquilo virá depois. Hoje vamos trabalhar "nisso"...

- Precisamos corrigir isso.

- Mas aquilo também está errado.

- Vai chegar o momento de corrigir aquilo também. Precisamos começar corrigindo isso.

- Mas e aquilo?

- ...

Estou preocupada com este argumento que está cada vez mais nos imobilizando - se não a nós, a quem nos rodeia. Do guarda do parque que não atua para guardar o parque ao profissional que se perde entre tantas prioridades não prioritárias, não é possível trabalhar sem um correto olhar e ação do que precisa ser feito hoje, amanhã e depois da manhã. O argumento "mas e aquilo?..." está engessando o brasileiro. Tanto há a corrigir que pouco se corrige. O Zé Desculpa toma a liderança do Antonio Resultado. E isto "não" pode acontecer, simples assim.


Vamos esclarecer bem o que vem antes e o que vem depois? O dever vem sempre antes do direito. O dever de bem trabalhar e bem construir precede o direito de destruir, criticar, reclamar, apontar falhas. Até um bebê já nasce com um dever (de respirar) antes de vir a ter qualquer direito. Se ele próprio não respira (com a ajuda de respiradores, em casos de saúde crítica), direito algum a vida lhe dará. Não viverá para ter pais carinhosos e mestres cuidadosos, nem terá metas a perseguir e alcançar nas várias fases da vida que se seguirá. O bebê já nasce operário do seu dever, trabalhando com a sua respiração.

Tenhamos clareza, é certo que o dever nos acompanha em cada e todo passo. E será ele quem nos permitirá ser abraçado pelo direito, pelos vários direitos que poderemos nos ver abraçados se devedores não formos com os deveres que antes temos. Dever a dever, missão dada deve, sim, ser missão bem cumprida.

- Mas e aquilo?

- Aquilo virá depois. Hoje vamos trabalhar "nisso"...

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