Da latência à visão: mudanças provocadas pela leitura

Há os que lêem e há os que não lêem. Os que lêem sabem que aprenderão lendo, os que não lêem certamente têm alguma dificuldade de se entregarem ao que lêem. "Ler é a única maneira pela qual involuntariamente nos vemos na pele, voz e alma de outra pessoa", diz Joyce Oates. Sim, assim é. Ler é esquecer temporariamente o que se pensa para pensar sobre o que se lê.

Anteontem a coluna de Lucy Kellaway no Valor Econômico investigou os prós e os contras de se trabalhar em casa. Leia-o na íntegra e veja se o artigo o toca diretamente (toca? de que forma você trabalha? em que momento você está?).

Foi o que fiz e a leitura deste artigo foi libertadora, vi-me ali! Trabalho há 10 anos em casa, onde montei um escritório com recursos para atender aos clientes remotamente muito bem. Quando vou ministrar cursos fora da cidade onde hoje vivo, saio da casa-escritório diretamente para o aeroporto. Problema diário com trânsito? Não. Com estacionamento? Não. Perdas diversas de tempo? Não. Perda de motivação? Não, nunca! Ter que sair do escritório porque já está tarde da noite (e esta foi uma das maiores causas para minha decisão de trabalhar em casa, já que gosto muito de trabalhar à noite!)? Não. Com solidão? Ultimamente sim, e só me dei conta disso ao ler o artigo de Kellaway.

Vida é movimento, momento a momento. A experiência em cada ciclo consolida o "saber ser, poder fazer e querer ter". Depois de 10 anos trabalhando em casa de forma livre, feliz e produtiva, sinto que é hora "agora" de estar novamente num escritório, rodeada diariamente por pessoas envolvidas com um propósito comum. Como, onde ou quando? Sinto que respostas e propostas estão vindo. O importante neste momento é o presente inesperado que ganhei da leitura - saí da latência, tive a visão... (e tudo começou com um simples e bem escrito artigo de jornal...)

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