Algoz ou benfeitor no mérito de cada um

"O tempo é algoz. O tempo é benfeitor." Num jantar de domingo, meu pai distribui esta pérola de frase.

O tempo é algoz para quem passa a vida vivendo no passado. Quantos "e se eu?..." ou "e se você?..." ou "e se ele(a)?..." podem ser evitados se olharmos a realidade como ela é - e foi -, sem distorções ou sonhos iludidos e frustrados sobre algo que já não é mais?

O tempo é algoz para quem passa a vida vivendo no futuro. Planejar é fundamental, norteia o nosso caminho, constrói os nossos objetivos. Mas planejamos "no hoje", e não no amanhã. Muitos passam a vida no "quando eu..." ou no "quando você..." ou no "quando ele(a)...". Sonham, esperam, inertes. Nosso futuro é consequência do que fazemos no presente! E o seu presente é o que você vê e produz, não o que você pensa ou sonha, imobilizado...

O tempo é benfeitor para quem vive no presente, 100% sendo e vivendo o hoje com gratidão e responsabilidade.

Por um momento, imagino um mundo com bilhões de habitantes 100% presentes e vivendo em harmonia no dever e na responsabilidade. Se o mundo não é benfeitor para todos, o problema não está nas regras ou falta delas, mas nas pessoas. O x da questão para a harmonia humana não é a lei ou falta delas, mas a índole das pessoas. Rodeados por pessoas de boa índole, nossa vida, mundo e tempo é benfeitor. Do contrário, pode ser algoz...

Certamente a explicação desta frase do meu pai por ele próprio não condiz com a minha aqui. A temporalidade é diferente, a visão tambem, e cada um traduz o que fala/ouve em algo que lhe toca e inspira. 

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