Parte do problema é aquele que não o resolve

A todo momento, fazemos algo por alguém. É o trabalho que precisa ser adiantado para o cliente, é a filha que precisa ser buscada no colégio, é o irmão/amigo que precisa de ajuda e atenção, todos os dias temos a chance de viver o doce sabor do altruísmo.

Altruísmo? Sim, aquele que vai além da abnegação e filantropia. Aquele que é o sentimento espontâneo de interesse em relação aos outros, aquele que é a doutrina moral onde o bem é a nossa atenção e dedicação à felicidade e à virtude de nossos semelhantes.

Se fazemos algo por alguém com inteireza, temos o grande em nós. Se fazemos algo por alguém com a pequenez dos que precisam se ver reconhecidos, somos pequenos na carência da troca emocional. Se fazemos algo por alguém hoje para amanhã retirar, desdenhar, denegrir, menores ainda somos. Porque o que se dá não se tira. Já foi confiado, conferido, transmitido. Neste sentido, dar para trás é pura comoção, espelho da sombra que também podemos ser e ter em nós.

O exemplo que se dá é o melhor discurso e o mais efetivo componente num processo de aculturação de / em uma empresa, família ou governo. Se sou altruista, altruistas surgirão ao meu lado e trabalharemos todos dedicados. Do contrário, não altruístas reunidos falarão, discursarão e reclamarão de problemas pelo egóico prazer da oratória vã, sem ação, sem progressos, sem a real atenção e dedicação para achar uma solução...

Parte do problema é aquele que não o resolve. Quem vive com o dedo da culpa erguido em direção a alguém (ou a vários alguéns) não vê que também é afetado pela relação de confrontamento em que vive? Não enxerga que a acareação passional o distancia de quem poderia (deveria?) lhe estar mais próximo?

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