"Fé, irmã..."

É possível criar, destruindo? Aproximar-se, afastando-se? Falar, silenciando? Refletir, esvaziando? Focar, desfocando? Restaurar, completamente exaurindo?

Lago Humantay, no alto de montanhas peruanas
É possível, sim. Acabo de entrar no meu escritório vindo diretamente do aeroporto e ainda sob o efeito de uma viagem de 2 semanas ao Peru, feita com mais de 20 pessoas e sob a liderança de Marco Schultz, dentro do projeto Simplesmente Yoga. Por não conhecê-lo previamente, o que pensei que seria uma viagem combinando Yoga (que faço há 2 anos) a um replandescente cenário andino (Cuzco, sítios arqueológicos, Pisac, Ollantaytambo, Vale Sagrado, Willka Tika, Trilha Salkantay, Soraypampa, Lago Humantay, Chaullay, Playa, Aguas Calientes e Machu Picchu) se tornou, na realidade, a mais importante viagem que já fiz até hoje.

Por que?

Porque não chegamos apenas aos Andes ou a Machu Picchu por trilhas planas seguidas de extenuantes subidas e descidas por montanhas, com curtas dormidas em acampamentos sob um céu salpicado de estrelas e ventos gelados. Nesses dias de verdadeira peregrinação, chegamos aos nossos limites físicos e psicológicos. Colocados à prova, muitas vezes esses limites foram além do que tínhamos como verdade ou, em outras vezes, frustrantemente aquém do que esperávamos.  Lá ficou claro que nem sempre somos o que pensamos ser e que a mente nos mente, muitas vezes. Preocupamo-nos. Exageramos. Estressamos. Não confiamos. Perdemos antes de tentar. Ou tentamos antes do chamado. Pensamos que temos total controle sobre a nossa vida pessoal e profissional e que ele, o controle, é de nosso exclusivo mérito. Fé? Atribuímos o que nos acontece à pura sorte. Fechamos janelas pela premência de abrir uma. Reduzimos nossas opções por impaciência. Somos egóicos. E, sim, perdemos tempo porque não queremos perder tempo...

Tive essas 2 semanas para ouvir claramente o volume do que não é dito pelos que me rodeiam - e por mim própria - numa longa jornada que agora sei que tenho que seguir e que vai além da pura acumulação de conhecimento. O rumo será a sabedoria... natural, fértil e (absurdamente..) sem esforço...

Nesses últimos 14 dias, a viagem para dentro de cada um de nós foi tão arrebatadora quanto a visão e a presença em um dos cenários mais deslumbrantes do nosso planeta. Marco Schultz liderou-nos nesta experiência transformadora e a ele dedico esta postagem. Fé, irmão...

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